Quando a tua tiróide se vira contra ti

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Foodstreet em Kyoto. Uma espetada enrolada em omelete.

A tiróide é uma glândula que se localiza na parte da frente do pescoço e as hormonas que produz controlam o metabolismo, ou seja, a forma como as células do nosso corpo utilizam a energia.

O funcionamento insuficiente desta glândula chama-se hipotiroidismo e caracteriza-se pela desaceleração do metabolismo, menor produção de energia, diminuição da temperatura corporal e alteração do ritmo cardíaco.

Descobri que tinha hipotiroidismo quando tinha 15 anos. Comecei a ter desmaios com alguma frequência, e desconfiou-se que podiam ser hipoglicemias, depois de quase desmaiar umas três ou quatro vezes após refeições, decidimos fazer análises.

Os níveis da TSH vieram muito altos, e assim fui encaminhada para a endocrinologista. Fiz uma série de outras análises e exames e fui diagnosticada.

Este tipo de hipotiroidismo designa-se por hipotiroidismo subclínico, e a reposição hormonal quando os valores da TSH não são extremamente altos não é consensual, sendo que a indicação de terapêutica depende dos sintomas do doente.

No meu caso comecei logo a medicação, cujos níveis fui ajustando, com alguma frequência nos primeiros anos e depois de forma mais espaçada.

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Biópsia líquida, hã???

 

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Ciência a esta hora?

Provavelmente já leram alguma notícia acerca da famosa biópsia líquida, ou se calhar nunca ouviram falar, nem conseguem imaginar nas vossas cabeças o que poderá ser. De qualquer das formas, fiquem por aqui, porque isto fica interessante.

Comecemos pelo princípio, uma biópsia é basicamente uma porção de tecido que é retirado para fazer testes de diagnóstico. Isto acontece quando há alguma suspeita de que aquele tecido não está saudável, como é o caso das doenças oncológicas. Uma biópsia pode ser feita por exemplo na pele, pode-se retirar um sinal que tenha um aspecto suspeito, ou pode ser feita em qualquer orgão interno. As biópsias são procedimentos invasivos que implicam muitas vezes anestesias e até mesmo cirurgias, mas são muito necessárias pois dão informação precisa por exemplo sobre o perfil molecular de um tumor. Esta análise permite “prever” se um determinado tumor vai responder a um tratamento especifico, e por isso desenhar um tratamento personalizado àquele doente: a chamada medicina personalizada.
Mas porque é que precisamos de outra biópsia? Como expliquei em cima, as biópsias implicam muitas vezes pequenas cirurgias, tempo de recuperação, anestesias, antibióticos, e outras situações às quais um médico não quer expor o seu doente com frequência, por outro lado, a informação dada pela biópsia é tão útil para ver a evolução do tratamento, que permitia uma actuação mais rápida se fosse feita com mais frequência. E para tentar resolver este problema, os cientistas aproveitaram uma característica terrível dos tumores: a sua rápida e desordenada multiplicação.

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