Biópsia líquida, hã???

 

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Ciência a esta hora?

Provavelmente já leram alguma notícia acerca da famosa biópsia líquida, ou se calhar nunca ouviram falar, nem conseguem imaginar nas vossas cabeças o que poderá ser. De qualquer das formas, fiquem por aqui, porque isto fica interessante.

Comecemos pelo princípio, uma biópsia é basicamente uma porção de tecido que é retirado para fazer testes de diagnóstico. Isto acontece quando há alguma suspeita de que aquele tecido não está saudável, como é o caso das doenças oncológicas. Uma biópsia pode ser feita por exemplo na pele, pode-se retirar um sinal que tenha um aspecto suspeito, ou pode ser feita em qualquer orgão interno. As biópsias são procedimentos invasivos que implicam muitas vezes anestesias e até mesmo cirurgias, mas são muito necessárias pois dão informação precisa por exemplo sobre o perfil molecular de um tumor. Esta análise permite “prever” se um determinado tumor vai responder a um tratamento especifico, e por isso desenhar um tratamento personalizado àquele doente: a chamada medicina personalizada.
Mas porque é que precisamos de outra biópsia? Como expliquei em cima, as biópsias implicam muitas vezes pequenas cirurgias, tempo de recuperação, anestesias, antibióticos, e outras situações às quais um médico não quer expor o seu doente com frequência, por outro lado, a informação dada pela biópsia é tão útil para ver a evolução do tratamento, que permitia uma actuação mais rápida se fosse feita com mais frequência. E para tentar resolver este problema, os cientistas aproveitaram uma característica terrível dos tumores: a sua rápida e desordenada multiplicação.

Um tumor é um monte de células a multiplicar-se e a ignorar toda a informação à sua volta (assim como aquelas pessoas mal educadas que ocupam o espaço no metro e não pensam nos outros), esta multiplicação desmedida resulta também em muitas células a morrer que libertam a sua informação genética para o sangue.

Este DNA fica livre no sangue, e é possível isolar do DNA “saudável” da pessoa, uma vez que este se encontra maioritariamente dentro das células e não livre. Aproveitando isto, é possível fazer uma colheita de sangue, separar o plasma do sangue – o líquido vá, das células, e retirar apenas o DNA que estava no plasma.

Analisa-se este DNA e consegue-se o perfil molecular do tumor cujas células morreram, com uma simples colheita de sangue.

Uma das vantagens desta técnica é que é possível analisar não só o DNA de uma zona especifica do tumor, como na biópsia de tecido, mas também DNA de células tumorais que podem estar em locais diferentes e ter perfis moleculares diferentes que respondem a outros tratamentos. Uma das limitações é a densidade de DNA analisado, que por vezes é muito pouco para ser conclusivo.

Esta técnica é semelhante à utilizada para fazer análises pré-natal, uma vez que o DNA do bebé também se encontra livre no sangue da mãe.

A biópsia líquida já em amplamente utilizada na clínica, principalmente para detectar uma mutação específica em cancro do pulmão que permite aos médicos saber se o doente está a responder ao tratamento, mas o futuro é utilizar este método para diagnóstico: Imaginem com uma amostra de sangue e uma análise de rotina conseguir detectar qualquer tipo de cancro quando ainda nem é visível ao microscópio!

As dificuldades que se colocam é como fazer a distinção entre o que é o DNA “saudável” e o DNA do tumor, pois todos temos DNA diferente, e todos os tumores têm DNA diferente, e mesmo dentro dos tumores as células têm DNA diferente umas das outras!

Ora aí está um grande desafio, para um futuro muito próximo!

E vocês, já tinham ouvido falar de biópsia líquida? Ficaram ainda mais baralhados?

Links de interesse:

https://www.dn.pt/sociedade/interior/despiste-precoce-de-cancro-por-biopsia-liquida-vai-ser-rotina-8558799.html

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4356857/pdf/atm-03-03-36.pdf

https://www.nature.com/articles/s41698-017-0039-5.pdf

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