Sopa fria de pepino e abacate

Esta sopa é sem dúvida um must do verão. No ano passado já tinha publicado uma receita mas prefiro sem dúvida a versão deste ano com abacate em vez da cebola.

É leve, hidrata, tem fibra, sacia, tem ácidos gordos, tem probióticos e é muito muito saborosa e fácil de fazer!

Basicamente é uma delícia para comer a qualquer hora e tão rica em nutrientes!

Já ficaram convencidos?

Se quiserem experimentar uma das receitas aqui do blog, esta é sem dúvida a minha eleição, por isso go for it!

Ingredientes (para 2 doses):

  • 1 pepino às rodelas sem casca nem sementes
  • meio abacate aos cubos
  • 1 iogurte natural sem açúcar (ou outro produto semelhante que utilizem)
  • 4 ou 5 folhas de hortelã
  • azeite
  • sal e pimenta

Receita:

Juntem todos os ingredientes num processador ou copo para a varinha, e triturem bem até não haver grumos. Acrescentem um pouco de água se gostarem de sopas mais finas.

Pode-se guardar no frigorífico e consumir em 3 dias.

Fácil fácil!!!

Ceviche de robalo com abacate

É cru mas é seguro. Tem várias receitas e mistura sabores tropicais. O ceviche é a nova moda a seguir ao sushi, mas com toda a segurança para fazer em casa!

É um prato tradicionalmente peruano, mas apesar de não ser cozinhado com temperatura, o ácido do sumo de lima faz com que a maioria dos microorganismos que possam existir no peixe sejam inócuos para a nossa saúde.

Quando juntarem a lima vão ver o peixe a passar de um tom transparente para branco baço, e é aí que sabem que toda a proteína foi desnaturada – mais ou menos como quando a clara do ovo passa a ser branca após a cozedura. E então têm a certeza que o sumo de lima chegou a todos os pedaços de peixe.

No ceviche, a quebra da cadeia de temperatura necessária para manter o peixe fresco não é tão grave como no sushi.

Para sushi, é necessário peixe comprado fresco no mercado sem grandes alterações de temperatura desde a captura até à nossa mesa. Ou congelado, desde que o descongelamento seja feito dentro do intervalo aconselhado, com baixas temperaturas e o peixe seja manuseado logo após. O ceviche não requer tantos cuidados, tornando-se muito simples de fazer em casa, e uma óptima solução para oferecer aos vossos convidados.

Vários estudos reportam o desaparecimento ou significativa diminuição do número de microorganismos após a marinada do peixe no sumo de lima, o que sugere que esta é uma forma segura de consumir o peixe.

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 1 robalo médio/grande
  • 1 abacate
  • 1 malagueta (tipo chili)
  • meia cebola roxa
  • talos de coentros picados
  • sumo de 1 lima
  • sumo de 1 limão
  • batata doce cozida às rodelas para acompanhar
  • sal e pimenta

Receita

Para esta receita usei um robalo médio cortado em filetes e sem pele, mas podem utilizar outro peixe, e podem comprar filetes congelados. Claro que quanto mais fresco o peixe, melhor.

Quando tiverem os filetes, retirem a parte central (mais escura), cortando de um lado e de outro, para retirar qualquer espinha que possa ter. Verifiquem bem que o vosso peixe não tem espinhas, e cortem aos cubos.

Piquem uma malagueta (com ou sem sementes dependendo da quantidade de picante que gostam), a cebola, os talos dos coentros e cortem um abacate aos cubos.

Juntem numa taça o peixe, a malagueta, a cebola, os coentros e o abacate, temperem com sal e pimenta, e por fim reguem com o sumo de lima e limão.

Depois de 5 minutos ou de o peixe ter ficado totalmente branco, está pronto a servir. Acompanhem com batata doce cozida.

Para os mais aventureiros, podem ver aqui como filetear um peixe.

Bons cozinhados!

Da memória de um Cozido à Portuguesa

Quando falamos de Cozido à Portuguesa surge sempre uma memória feliz na cabeça de cada um. É a comida a mostrar o seu poder. E o mais engraçado, é que esta memória comum a todos, tem uma receita diferente para cada família.

A minha é na terra da minha avó, no Ribatejo. Em noites amenas e jantares numa cozinha à parte da casa com a família reunida. Com várias panelas a serem trazidas para a mesa: com as carnes, chouriços, farinheiras e morcelas, orelha e chispe de porco, carne de borrego, vaca e porco. A couve, branca e escura, o tomate, o nabo, a cenoura e a batata, tudo da horta da minha avó.

Em pequena os meus predilectos eram sempre os enchidos, à carne propriamente dita já torcia o nariz. E pela pouca vontade que tinha de comer, a minha avó fazia sempre a sopa do cozido para mim, com esparguete partido e tudo arranjadinho lá dentro.

É verdade, quando era pequena odiava comer, demorava horas a jantar, e só fazia refeições completas quando ia para a minha avó. Na altura se contassem a alguém que ia escrever sobre comida um dia, toda gente se teria rido.

Há uns tempos apetecia-me cozido, ou melhor, apetecia-me a sopa do cozido, como a minha avó fazia. Mas não me apetecia cozinhar alimentos que não gosto de comer só para ter um Cozido digno desse nome, e portanto decidi improvisar. Porquê cozinhar coisas que não gostamos?

E o mais engraçado é que sendo a ideia de Cozido diferente para todos, há uma grande oportunidade de juntar receitas.

Desafio-vos portanto a repetirem esta, mas com aqueles alimentos que vos fazem brilhar os olhos e claro, partilhem connosco!

Ingredientes para 4 pessoas:

  • 700gr de carne de borrego
  • 1 lata grande de grão
  • meia couve coração de boi cortada às tiras
  • 4 folhas de couve portuguesa
  • 1 nabo
  • 1 courgete
  • 1 farinheira
  • 1 morcela
  • 1 chouriço
  • 1L de água a ferver
  • salicórnia para substituir o sal
  • pimenta
  • azeite
  • hortelã para servir

Receita:

Corta-se a carne em pedaços pequenos, e com um fio de azeite frita-se um pouco num tacho grande.

Quando a carne estiver com um tom dourado por fora, acrescentam-se o chouriço, a farinheira e a morcela (inteiros), a courgete às rodelas grossas, o nabo aos quartos, o grão escorrido, e as couves cortadas.

Acrescenta-se a água (pode ser mais ou menos consoante gostem de comer o cozido mais como sopa, ou mais seco), a salicórnia picada e a pimenta, tapa-se e deixa-se cozer (cerca de 30 a 45min).

Sirvam com umas folhas de hortelã, e muita nostalgia!

Salada vermelha de cuscuz

Cuscuz, pimento, curcuma, açafrão-da-índia, curcuma, tomate

A curcuma ou açafrão-da-índia é uma raiz da família do gengibre, muitas vezes confundida com o açafrão tradicional (extraído dos estigmas das flores Crocus sativos) pelo seu tom amarelo torrado.

A sua utilização mais conhecida é no caril amarelo, mas tem uma grande aplicação na medicina oriental. A substância activa é a curcumina (que lhe confere a cor), porque tem uma forte acção anti-inflamatória e inibidora de radicais-livres, tendo já sido cientificamente validada para redução do colesterol, osteoartrite e pruridos.

Apesar da pouca evidência, há estudos das propriedades da curcumina em Alzheimer, cancro do fígado, cancro do esófago, cancro gastrointestinal, doenças do sistema imunitário e muitas outras, pelo que si só já dá indicação das vantagens que podem ter ao incluir a curcuma na vossa dieta!

Esta receita é muito fácil e podem utilizar tanto curcuma fresca (aconselho vivamente e dura semanas no frigorífico) como em pó.

Ingredientes para duas pessoas:

  • 1 chávena de chá de cuscuz integrais
  • 1 chávena de chá de água a ferver
  • 2 tomates chucha ou de rama aos cubos
  • 1/4 de pimento vermelho aos cubos
  • 1cm de raiz de curcuma
  • salsa
  • azeite
  • sal e pimenta

Receita:

Num prato fundo coloca-se os cuscuz, o sal, a pimenta e um fio de azeite. Adiciona-se a água a ferver e deixa-se descansar.

Depois da água ter sido toda absorvida podem-se acrescentar os restantes ingredientes: o tomate e o pimento aos cubos, e a curcuma ralada num ralador fino.

Mexe-se bem, e serve-se com um raminho de salsa.

Bibliografia

https://www.webmd.com/vitamins/ai/ingredientmono-662/turmeric

https://www.webmd.com/food-recipes/features/why-ls-turmeric-good-for-me

http://www.eurekaselect.com/118618/article

 

Quinotto de pato com laranja

Quinoto de Pato

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a quinoa não é um cereal mas sim uma semente da família do Amaranto e tradicional da região dos Andes (Peru, Chile, Equador, Bolívia).

É um alimento utilizado como se fosse um cereal, quer para fazer farinha, quer para utilizar como arroz e massas, e deve ser cozida com uma parte de quinoa para duas de água.

A nível nutricional é muito completa, em cada 100g de quinoa encontramos:

  • 16,5g Proteínas
  • 6,3g Lípidos, sendo mais de 50% de ácidos gordos
  • 69g Hidratos de Carbono
  • 13,6g a 16g Fibras
  • não contém glúten

Além da riqueza nutricional, outro facto interessante é a sua grande variabilidade genética, tornando-a resistente a pragas e sendo facilmente adaptável a diferentes climas diminuindo a necessidade de utilização de pesticidas e outros químicos.

A semente tem naturalmente uma substância tóxica para os insectos e outros predadores (saponina), tornando-a amarga e levemente tóxica para os humanos, pelo que deve ser lavada após a colheita e antes de ser cozinhada deve ser colocada de molho ou muito bem lavada com água corrente – esta substância é solúvel em água.

Nesta receita é cozinhada à semelhança de um risotto, em vez de água utilizei a água de cozer o pato, mas podem sempre substituir por água ou outro caldo. Utilizo também outros ingredientes típicos da cozinha tailandesa que podem omitir, como as folhas de lima-kaffir e lemongrass – da família da erva-príncipe.

Ingredientes para 4 pessoas:

  • Um quarto de pato do campo
  • 2 folhas de lima-kaffir
  • 1 talo de lemongrass
  • 1 copo de quinoa lavada
  • 1 cebola finamente picada
  • 1 alho-francês (parte branca)
  • 300g de cogumelos frescos, lâminados
  • 1 pimento vermelho aos cubos
  • 1 laranja aos cubos
  • azeite
  • sal e pimenta

Receita:

Coze-se o pato em água com sal e pimenta, as folhas de lima-kaffir sem o nervo central, e o talo de lemongrass esmagado. Depois de cozido (demora entre 30min a 1h dependendo do tamanho e da origem do pato), desfia-se o pato e reserva-se o caldo.

Num tacho baixo ou caçarola, adiciona-se o alho francês às rodelas e a cebola, com um fio de azeite e quando estiverem levemente refogados juntam-se os cogumelos e o pato.

Deixa-se cozinhar por uns minutos, e acrescenta-se a quinoa escorrida, frita-se um pouco, e começa-se a adicionar o caldo do pato aos poucos, até perfazer duas vezes a quantidade de quinoa. Tapa-se e deixa-se cozinhar por 12 a 15min.

Quando a quinoa estiver cozida junta-se o pimento, rectifica-se de sal e pimenta, retira-se do fogão e antes de servir junta-se a laranja aos cubos.

Espero que gostem!

http://www.fao.org/quinoa/en/

http://www.fao.org/quinoa-2013/what-is-quinoa/nutritional-value/pt/

https://www.webmd.com/food-recipes/features/quinoa-the-gluten-free-super-food#1

A realeza da escrita gastronómica ou como produzir um texto a partir de parágrafos aleatórios

papas na lingua, ze dos cornos, piano
Photo: OHQCT

Há realmente dons que não dão para acreditar.

Uma das excursões da patrulha Papas foi o almoço no famoso Zé dos Cornos. Éramos 5 aspirantes a críticos famintos e o nosso mentor sugeriu que todos comêssemos o piano grelhado com arroz de feijão. O TPC era um texto sobre a refeição.

Até aqui tudo bem.

As dificuldades surgiram quando soubemos que era um texto a 14 mãos e cada um tinha um parágrafo destinado!

Ora se todos tínhamos tido a mesma experiência, como não repetir? Como mencionar coisas sem saber se iriam ser contextualizadas no início? Pareceu-me uma tarefa, a mim cujas palavras não saem facilmente, megalómana.

Mas não há nada como o conhecimento, e não queria deixar de partilhar convosco o resultado que me deixou boquiaberta.

Uma salva de palmas para O Homem Que Comia Tudo que acertou na muche, e para a restante patrulha Papas pelas belas palavras.

Não deixem de ler esta preciosidade, e coloquem um lembrete no telemóvel para a próxima vez que vos apetecer um piano!

Um pianissimo no Zé dos Cornos – Por Ana ClementeInês MatiasInês GarciaLeila GatoMariana Barbosa e Rodrigo Mota. Edição: Ricardo Felner.

Enchiladas para grupos

burritos

Então onde vamos jantar hoje?

É sempre aquela pergunta que surge todos os sábados às 18h, quando somos uma dúzia e as finanças apertam. Escolhida a casa, vamos escolher o menu: tem de agradar a todos, ser de fácil ajuste para as dietas, dar para os miúdos, não sujar muito, de preferência um tacho ou dois no máximo, não demorar uma eternidade e ficar em conta!

Estes requisitos nem sempre são cumpridos, mas muitas vezes são! Neste caso, fizemos chilli e recheámos tortilhas para fazer uma espécie de enchiladas e acompanhámos com salada.

Pode-se retirar a carne antes de por o feijão se alguém não comer hidratos, e também pode-se não colocar a malagueta no caso dos miúdos. Se alguém não quiser as tortilhas, pode comer o chilli acompanhado de salada e arroz.

Utilizem um tacho bem grande de preferência, mas se não tiverem, podem dividir por dois médios. Se tiverem mais especiarias em casa podem fazer uma mistura no almofariz com: cominhos, sementes de funcho, sementes de oregãos, mostarda em grão, pimentão doce, pimentas e o sal.

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